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Publicado em 03/12/2018
Tempo de leitura: 6 minutos

Conheci o confeiteiro de Santos, que construía sonhos de concreto e imaginação

Ele não economizou nos ingredientes dos seus sonhos que eram recheados de excelência

Há um ano que o confeiteiro de Santos foi embora da cidade. Tive o privilégio de conviver por mais de 30 anos com um confeiteiro incomum. Só fazia sonhos concretos. Ou melhor, de concreto e imaginação.

Vi inúmeras vezes seus olhos brilharem ao falar de um novo sonho. Já com o projeto desenvolvido em mãos ele sempre perguntava: “O que achastes? Ficou bom? As pessoas (a cidade) vão gostar?”

As observações feitas ao projeto nem sempre eram aceitas, mas sempre ouvidas com muita atenção. Essas três perguntas ele fazia todo dia ao olhar o projeto de novo. E o sonho recebia um pouco mais de creme a cada vez. Melhorava a logística espacial da planta, colocava mais vidros na parede ou simplesmente tirava uma parede.

Nunca o vi negociando para economizar nos ingredientes do sonho. Seus sonhos nunca foram pequenos. “Quero trazer para Santos um shopping com o padrão de São Paulo”. E começou o Miramar Shopping. Na verdade, um complexo de 60.000m2 no coração do Gonzaga. Com dois hotéis e um prédio empresarial. Realmente chegavam à Santos marcas de lojas que só existiam em São Paulo.

No dia da Inauguração, tive o prazer de anotar as origens das placas dos carros no estacionamento. Eram de 22 cidades do interior de São Paulo. Sucesso absoluto. Santos começava a ser vista de uma nova maneira.

Difícil lembrar da cidade sem os empreendimentos da construtora, digo confeitaria Miramar.

Presenciei em quase todos os projetos o descrédito geral. Primeiro porque foram iniciados em crises econômicas do Brasil. Depois a revelação do imponderável medo: “você é louco fazer um shopping desse tamanho nesse local”. Mas sempre me pareceu que o confeiteiro ouvia constantemente Goethe : “Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.”

E assim, quando foi aberto o Praiamar Shopping ele era um dos seis maiores shoppings do estado de São Paulo. Seus empreendimentos geravam empregos antes, durante e depois. E tornavam a cidade cada vez mais atraente para a população da região e de fora.

Talvez por isso tenha feito o primeiro prédio com elevador panorâmico frente à praia: para seus moradores olharem todos os dias a beleza de sua cidade. Um ano passou de sua partida e a cidade continua devendo um reconhecimento a seu confeiteiro.

D. Anna Costa é a avenida Paulista de Santos. É um corredor de muitas empresas. Foi pioneira em ter um trecho asfaltado, iluminação pública elétrica e bondes movidos a energia. E pioneirismo foi o principal creme dos sonhos de Armênio Mendes, um visionário que realizava os sonhos.

Fez isso, até seus últimos dias por aqui. Armênio Mendes merece ser homenageado pela cidade com o seu nome na avenida D. Anna Costa.

 

 

Américo Barbosa
Colunista do Portal VES e Diretor de Criação da Ego Comunicação Estratégica

Redação

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