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Publicado em 21/05/2019
Tempo de leitura: 4 minutos

Criatividade em pauta: encontro em Santos discute políticas públicas para economia criativa

Veja o que rolou nesse encontro desafiador sobre Economia Criativa!

1.  Criação de um Conselho Municipal de Economia Criativa

2. O motivo da falta de políticas públicas

3. Mais eventos que estimulem a criação

4. Sugestões para políticas públicas

5. Reeducação do Consumidor

6. Desafio da Economia Criativa

7. Equilíbrio entre gerações e como atingir diferentes públicos

A Prefeitura de Santos promoveu na última sexta-feira (17), no período da manhã, o Encontro da Cadeia Produtiva da Economia Criativa, que reuniu empreendedores e criadores da região para discutir políticas públicas. O encontro foi dividido em dois momentos: um painel onde especialistas expuseram suas opiniões quanto ao tema e rodas de conversas divididas por segmentos (Gastronomia, Design/Arte/Artesanato, Audiovisual/Cinema/, Música/Literatura, Pesquisa de Inovação e Sociedade Civil Organizada) para discutir sobre o desenvolvimento da economia criativa.

O evento foi mediado por André Falchi Bueno, do escritório de Inovação Econômica, e teve como objetivo entender como os criadores veem a necessidade de políticas públicas e como acreditam que devem ser desenvolvidas.

Que a nossa região é criativa, já sabemos, mas esse encontro foi essencial e você precisa saber o motivo…

O Portal Viver em Santos e Região esteve presente e vai te contar tudo de mais interessante que foi debatido por lá.

 

Criação de um Conselho Municipal de Economia Criativa

O Secretário de Governo, Rogério Santos, foi um dos membros da mesa e falou sobre o reconhecimento internacional de Santos como Cidade Criativa junto a Rede Unesco e como a Prefeitura está promovendo a economia criativa, a partir desse reconhecimento, como política pública.

“Nós já sabíamos que a cidade era criativa, mas queríamos oficializar isso. O selo, na minha opinião, tem importância interna e externa. Interna, em dois pontos:  para quem é criativo se sentir reconhecido, e, para quem não leva a sério esse tipo de trabalho, passar a levar.  Externa, porque mostra o potencial para o resto do mundo”, disse o secretário.

De acordo com o político, a Prefeitura tem feito várias ações, como criar o Escritório de Inovação Econômica e Coordenadoria de Economia Criativa, além das criações das Vilas Criativas. Como proposta, ele sugere a criação de um Conselho Municipal de Economia Criativa para organizar e estruturar melhor a cadeia.

“O ponto mais alto do dia foi a diversidade que nos foi apresentada. Muitos especialistas deram suas opiniões sobre o tema. Este foi o primeiro passo para a organização do Encontro Anual de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que vai acontecer em junho de 2020, em Santos. Vai ser a oportunidade de expor o trabalho desenvolvido no setor criativo da Cidade”, enfatizou.

O Secretário de Cultura, Rafael Leal, fez questão de ressaltar que Santos tem a criatividade no DNA e que a Prefeitura pensa em formas de fomentar ainda mais a cultura. Aproveitou a ocasião para lembrar que, recentemente, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa fez uma portaria que aumentou em 25% o Facult. Além disso, compartilhou que estimular a economia criativa pode ser a solução para os 13 milhões de desempregados, abrindo portas para novas formas de obter renda.


“O que você faz para reciclar o mundo ao seu redor? Perguntem-se. O que nós fazemos para reciclar o nosso meio, as nossas relações. Aos pouquinhos, vamos transformando a cidade, comunidade e mundo. Eu, se era um apanhado de lixo e estou aqui hoje, imagina o que todos vocês juntos conseguem fazer!”Cara de Papel 


 

O motivo da falta de políticas públicas

O Gestor de Negócios da Mídia, Audiovisual, Games, Editorial, impresso e Digital, que atua como especialista em economia criativa no Sebrae, José Carlos Aronchi, acredita que a falta de representatividade junto a políticas públicas se dá por conta da desarticulação do setor. E, de acordo com ele, para que Santos seja realmente a cidade criativa do cinema, o segmento deve batalhar pela criação.

“Estamos em um momento de fechamento de portas, por isso, precisamos aproveitar as janelas abertas. Precisamos reconhecer a cadeia de negócio e o Sebrae está à disposição para isso, já que podemos traçar as fontes de receita que vão como alternativa para essas portas que estão se fechando”, explicou.

O especialista também acredita que as pessoas não podem ver só o produto como fonte de renda. Como exemplo, usou a produção de um filme. “Mexe com toda a economia da cidade, porque os atores vão precisar utilizar o transporte, vão precisar comer, carpinteiros e pintores serão contratados para fazer cenário. Isso é ótimo para criar receita, fazendo convênios com restaurantes e hotéis”, explicou.

Mais eventos que estimulem a criação

O Diretor Geral do Curta Santos, Ricardo Vasconcellos, acredita que é preciso desenvolver mais cultura em qualquer setor. Entretanto, acredita que para isso aconteça, é preciso que o Governo crie políticas públicas e leis de fomento. “Recentemente, o Facult aumentou, o que é um grande passo, mas é pouco. Em 2020, vamos apresentar Santos como a Cidade do Cinema e da criatividade, mas precisamos fazer mais para isso se tornar uma verdade”.

Veja mais sobre as ideias de Ricardo. 

Sugestões para políticas públicas

Para o idealizador e diretor do Procomum, Rodrigo Savazoni, a economia criativa está associada a um sistema de produção em que as regras e fluxos de informações se estabelecem não só em territórios, mas em interações. Levando em conta isso e o fato de Santos ser a única cidade que não é uma capital a ter um selo de cidade criativa, Savazoni deixou três contribuições:

1. Ajuda de outras cidades: Como Santos é vista como uma liderança regional e política, o ideal seria convocar para o processo de construção das políticas públicas outras cidades. Na opinião do diretor do Procomum, a Baixada Santista é muito rica, diversa e complexa e isso deve ser incorporado no processo.

2. Igualdade Racial: Santos tem o sexto maior IDH do Brasil, se igualando a Portugal em muitos aspectos, mas também, em dados de 2015, é a terceira maior cidade em exclusão racial. “Não digo para procurar um descontentamento, mas porque acredito que as políticas públicas têm que atingir esse tipo de intervenção. Isso, porque são 54% da população brasileira, compõe um setor importantíssimo e fizeram parte das maiores inovações artísticas do Brasil nos últimos anos. Se a gente não se conectar com isso, vamos perder muito economicamente.”

3. Participação das Periferias: “podemos estender não somente para Região Metropolitana, mas também para as periferias. Acho fabulosa a iniciativa das Vilas Criativas. O Instituto Procomum pode ajudar a pensar na política do habitat nesse ponto. Precisamos dar atenção aonde esses equipamentos estão inseridos. A população está carente para que isso aconteça. Temos que entender o software de uso desses grandes hardwares estruturados.”

Conheça mais sobre as ideias de Rodrigo. 

Reeducação do Consumidor

“Estamos vivendo em uma época onde o os cartões de crédito e de débito valem mais do que um título de eleitor. O que eu compro fala sobre quem eu sou, movimenta minha cadeia local, minha família e a sociedade como um todo. Acredito que as pessoas precisam entender o poder político e poder de compra”, opinou Heitor Cabral, curador e organizador do Encontro de Criadores. Para ele, as pessoas não podem ver Santos só como potencial regional, é preciso olhar além, porque “somos eternos aprendizes”.

Desafio da Economia Criativa

A presidente do Lab 4D, Denise Covas, pesquisa sobre Economia Criativa há mais de 10 anos e acredita que o maior desafio é fazer as pessoas entenderem o que é esse conceito e fazer com que o pessoal criativo entenda que é possível usar a tecnologia como aliada. “Hoje, vivemos em um mundo muito tecnológico, e criativos têm medo disso. Mas não devem, porque por mais que os robôs já consigam fazer muita coisa, dificilmente serão tão criativos quanto humanos”, explicou.

Para ela, as pessoas precisam ter uma base de conhecimentos para transformar a criatividade em um negócio, para que possa viver disso. “A forma de consumo mudou, o que é positivo, porque um músico, por exemplo, não fica mais preso na venda de discos. Pode contar também com as plataformas de streaming e ser remunerado por isso”, completou.

O futuro ideal, segundo Denise, é encontrar um meio de tornar os segmentos mais representativos na economia, sem que as pessoas percam o talento, juntando a questão cultural com tecnologia e transformando em negócio. “Isso só será possível com o uso de novas ferramentas tecnológicas”, ressaltou.

Denise Covas fala mais sobre os desafios da Economia Criativa. 

Equilíbrio entre gerações e como atingir diferentes públicos

A Diretora Tecnológica (CTO) do Viver em Santos e Região e CEO da WMorais Soluções Digitais, especialista em tecnologia, Gabriela França Morais, aproveitou para dar uma dica para todos os criadores quanto ao uso da tecnologia para fomentar seus negócios. “Temos que ouvir e entender com quem estamos falando. Para criar algo que atenda às necessidades tanto dos Baby Boomers e geração X, quanto do público mais jovem, precisamos pensar em conteúdos multidisciplinares, um bom exemplo disso são os conteúdos em áudio presentes em portais e os vídeos com legenda. É o que estamos fazer no Viver em Santos. Estamos nos adaptando e vamos nos adaptar cada vez mais, porque estamos em constante busca de identificar como podemos nos comunicar melhor com nossos seguidores. Estamos tendo resultados muito positivos”, disse.

A especialista aproveitou para colocar o veículo à disposição de todos os criadores, que podem enviar seus releases para o e-mail redacao@viveremsantoseregiao.com.br

Entenda mais sobre o que foi o Encontro da Cadeia Produtiva da Economia Criativa

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Noelle Neves

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