Qual é a frequência correta de vacinação nos pets?

Coluna: bem-estar animal por Antonella Chiaratti

Os melhores laboratórios de vacinas alertam os médicos veterinários sobre o excesso de vacinação. É comprovado que vacinas em excesso (sejam por não serem necessárias ou por aplicações concomitantes de vários tipos ao mesmo tempo) ou aplicadas em pacientes imunoincompetentes podem gerar graves sequelas para o organismo fatais ou irreversíveis como doenças imunomediadas, doenças hemolíticas, glomerulonefrites (que evoluem para doenças renais graves), piora dos quadros de doenças crônico degenerativas como artrites, artroses, nefropatias, discopatias, piora de doenças autoimunes (lúpus, pênfigo, alergias com ou sem causa definida), entre outras. Fêmeas gestantes ou amamentando ou no cio tem indicação de aguardar esse período para depois serem vacinadas.

Primeiramente, para que um pet possa ser vacinado, saiba que a vacinação deve ser precedida de um exame clínico minucioso pelo médico veterinário e somente animais 100% sadios devem ser vacinados.

Os cães tomam seis tipos de vacinas: V8 ou v10, anti-rábica, Giardia, Tosse dos canis, Leptospirose e Leishmaniose.

  •  V8 ou v10: protegem os cães de sete doenças consideradas graves: cinomose, parvovirose, leptospirose (sendo que a V10 compõe 4 sorotipos de lepto e a V8 2 sorotipos de lepto), Adenovirus canino tipo 1 (causadora de hepatite infecciosa canina), Adenovirus canino tipo 2 (causadora de doença respiratória), Coronavirus canino e Parainfluenza canina.
  • Anti-rábica: protege os cães contra a raiva. Embora não seja endêmica na Baixada Santista não está isenta a vacinação anual, controlando assim a raiva em cães e gatos e por conseqüência na população humana (considerando transmissão por mordedura de cães e gatos).
  • Giardia: auxilia na prevenção da doença clínica causada pelo protozoário Giardia lamblia, o cão infecta-se comendo, lambendo, engolindo cistos de Giardia, que podem estar presentes na água, nos alimentos, nas fezes ou nos pêlos dos animais com os parasitas.
  • Tosse dos Canis (Bordetella bronchiseptica): auxilia na prevenção da traqueobronquite Infecciosa dos cães causada pela bactéria Bordetella bronchiseptica. O sintoma da infecção é uma tosse severa e seca, que é agravada pela atividade ou excitação. Outras doenças podem causar tosse, portanto o médico veterinário deve examinar e diagnosticar a doença.
  • Vacina contra Leptospirose: Leptospirose é uma doença bacteriana e transmissível para seres humanos (zoonose), sendo a Leptospira sp o agente infeccioso. A vacina V8 ou V10 protege contra esse agente, mas em lugares onde o animal pode ter contato com a urina de ratos é recomendado fazer uma dose reforço dessa vacina seis meses após a última dose de V8 ou V10.
  • Leishmaniose Visceral: É  uma doença sistêmica grave , fatal e transmissível para seres humanos, sendo atualmente reconhecida como uma das mais importantes zoonoses pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para a aplicação da vacina é obrigatório o exame sorológico negativo anualmente. A doença é transmitida através da picada de mosquitos contaminados entre pessoas e animais.

As vacinas devem ter início com 45 dias de vida de cães saudáveis. O intervalo entre as vacinas deve ser de 21 a 30 dias. Não são indicadas vacinas concomitantes, ou seja, 2 ou 3 doses de vacinas diferentes no mesmo dia. A indicação é que seja respeitado o intervalo de pelo menos 2 semanas entre vacinas diferentes.

Os protocolos devem ser feitos de forma individual e para cada animal, baseado em estilo de vida (viagem, saídas para rua, contato com outros animais, pet shops, idosos, imunoincompetentes, portadores de doenças crônicas, etc) e principalmente exposição viral.

Atualmente, o teste de Titulação de Anticorpos Vacinais de Parvovirose, Cinomose e Hepatite Infecciosa é realizado através de exame de sangue, que detecta se os cães possuem anticorpos de proteção no organismo mostrando se o animal precisa ser vacinado ou não. Cientificamente, os anticorpos vacinais permanecem no organismo por mais de um ano, podendo chegar até 7 anos, ou mais. Assim, o excesso de exposição às vacinas é evitado, respeitando o organismo dos cães de forma individualizada.

 

*Uma colaboração do Dr. Felipe Loyo – Clínico Geral no Centro Médico Veterinário Vitale.

 

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Desde bem pequena sentia necessidade de saber o que fazer diante de animais machucados, atropelados, sangrando, com dor.
Confesso ser apaixonada pela minha profissão e extremamente grata a Deus por ter me mostrado desde sempre minha missão. Não imagino minha vida em outro papel.
Atualmente meu maior desafio é mostrar para os tutores o respeito por animais durante a criação desde filhotes até idosos, incluindo suas limitações. Há muito trabalho pela frente.
@antonellaespecialistavet

Formada pela Unimar
Diretora Clínica e Médica Veterinaria no Vitale| Centro Médico Veterinário @vitalecmv
Pós graduada em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais
Pós graduada em Clínica e Cirurgia de Felinos
Pós graduada em Emergência e Terapia Intensiva
Atua em atendimentos de pacientes cães e gatos nas áreas de geriatria, nefrologia, dermatologia e doenças de diagnósticos complicados.

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