Desempregado encontra na venda de brownies o meio para pagar faculdade e sustentar o filho

Estima-se que no Brasil, 5,5 milhões de crianças não tenham o nome do pai no registro. Além disso, em 2017, foi registrada uma média diária de 64,8 prisões de pais que não pagaram pensão alimentícia para os filhos, só no Estado de São Paulo. Com números alarmantes como estes, homens que cumprem com a obrigação são cada vez mais raros. Este é o caso do estudante de gastronomia e ambulante, Matheus Elias, de 33 anos.

Ele também enfrentou o desemprego no país e desde 2013, ia de um trabalho temporário a outro para auxiliar na criação do filho, de 11 anos. “Eu tinha um pequeno comércio, mas acabei quebrando. Procurei muito, mas nenhuma empresa formalizava a contratação com carteira assinada, então trabalhei um tempo como garçom, barman e auxiliar de cozinha e enviava o dinheiro para Alfenas (Minas Gerais), cidade onde meu menino mora”, contou.

Em busca de uma vida melhor, Matheus, que só estudou até a 5ª série (atual 6º ano) realizou a prova do ENEM, foi aprovado e prestou vestibular em nutrição, na Unifesp, em Santos. Porém, por exigir dedicação em tempo integral e não sobrar tempo para o trabalho, precisou buscar outras alternativas. Pela grande afinidade com comida e com público, pensou “Por que não fazer gastronomia?”. Após amadurecer a ideia, prestou o ProUni e conseguiu 50% de desconto na faculdade.

“Pai tem que dar apoio para o filho mesmo estando longe. Por mais que não seja comum no Brasil, faço questão de fazer a minha parte. Então estou sempre buscando uma alternativa para poder ampará-lo”, explicou.

Para complementar a renda, em 2018, Matheus vendeu brownies fudge (cremosos), durante um tempo e deu muito certo. Por cursar gastronomia, pensou que seria o momento certo de conciliar. Mas para dar certo, além de errar uma, duas, três, quatro fornadas, ele ainda precisou aprender a andar de bicicleta. Neste ponto, a namorada, Thaís Barbosa, de 20 anos, teve papel fundamental.

“Em nosso primeiro encontro, ela me ensinou a andar. Não teve vergonha nenhuma e me apoiou. Hoje, eu faço as vendas e entregas com a bicicleta dela. A vida de ambulante é difícil, mas ter alguém ao nosso lado torna tudo mais leve. Queremos crescer juntos”, disse.

A rotina de Matheus é puxada. Acorda cedo, vai para a faculdade e depois já começa a rotina de vendas pela cidade. O percurso abrange do canal 1 ao 7, além do centro, e cidades vizinhas, como São Vicente e Praia Grande. “Saio de casa com 20 brownies. Sempre tomo muito ‘não’, mas só volto quando não tenho mais nenhum”, enfatizou.
Lidar com os olhares tortos e de pena não são nada para ele, porque sabe que se conseguir manter o ritmo, ao invés de encontrar o filho apenas duas vezes ao ano, poderá aumentar a frequência.

O capricho na confecção e entrega, para ele é a chave. Todos os doces são fabricados com chocolate nobre, manteiga e açúcar cristal orgânico. Todos os conhecimentos adquiridos na aula de gastronomia são aplicados em cada etapa do preparo.

Os brownies custam R$ 6 e podem ser encomendados através do telefone (13) 99113-7363. “Recentemente, realizei minha primeira entrega de lote para um restaurante em Praia Grande. Espero que esse seja só o começo. Meu filho vem ficar comigo 20 dias no fim do ano e preciso proporcionar os melhores momentos para ele”, finalizou.

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